Conta não fecha: Queda no preço do suíno vivo não chega às gôndolas e pressiona criadores em MT

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tangará da serra(MT)25 de abril de 2026

A suinocultura de Mato Grosso acendeu o sinal de alerta máximo nesta última semana de abril. Enquanto o preço pago ao produtor pelo suíno vivo despencou mais de 27% desde o início do ano, o consumidor final não tem sentido o mesmo alívio nas gôndolas dos supermercados. Esse “descompasso” entre o campo e a cidade está achatando as margens dos criadores, que já operam no prejuízo.

O Tombo no Campo

Segundo dados da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), o quilo do suíno vivo, que era comercializado a R$ 8,00 em janeiro, caiu drasticamente para R$ 5,80 nesta semana. É o menor patamar registrado nos últimos dois anos no estado.

A queda é atribuída a uma combinação de fatores:

  • Excesso de oferta: Aumento na produção interna.

  • Sazonalidade: Desaceleração natural do consumo no primeiro trimestre.

  • Custos fixos: Mesmo com o animal valendo menos, insumos e logística continuam pressionando o bolso do produtor.

O Gargalo no Varejo

A grande queixa do setor é que a redução de quase R$ 2,20 por quilo na porteira da fazenda não chegou ao varejo. Para a Acrismat e entidades do setor, se o preço caísse para o consumidor, a demanda aumentaria, ajudando a “limpar” o excesso de oferta no mercado interno e reequilibrando os preços.

“A sustentabilidade da atividade está comprometida. O produtor está pagando para trabalhar, enquanto o varejo retém a margem que deveria estar estimulando o consumo”, afirmam lideranças do setor em MT.

Impacto em Tangará da Serra e Região

Em Tangará da Serra, onde a logística para escoamento muitas vezes encarece a operação, o cenário é de cautela. Com o milho (principal insumo da ração) também apresentando oscilações de preço e o frete em alta no estado, os suinocultores locais buscam alternativas para não paralisar as atividades.

O que esperar?

O mercado agora observa a movimentação das exportações, que bateram recorde em março, mas ainda não foram suficientes para sustentar os preços internos. A expectativa dos produtores é que, com a divulgação desses dados, haja uma maior conscientização dos frigoríficos e redes de supermercados para repassar as baixas e evitar uma crise de desabastecimento futuro, caso criadores decidam abandonar a atividade.


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