Alerta no Campo: Aprosoja-MT cobra crédito emergencial de R$ 20 bi para evitar colapso na próxima safra

0
133

tangaráda serra(MT)24 de abril de 2026

O setor enfrenta um cenário de “tempestade perfeita”: queda no preço das commodities, juros elevados e endividamento recorde. Em Tangará da Serra e região, o impacto já é sentido no comércio e na prestação de serviços.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) protocolou oficialmente junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) um pedido de socorro financeiro que pode chegar a R$ 20 bilhões. O objetivo é criar uma linha de crédito emergencial com juros subsidiados e prazos alongados para garantir que o produtor rural consiga colocar a semente no chão na safra 2025/2026.

O Cenário de Crise

A rentabilidade do produtor mato-grossense foi duramente golpeada nos últimos dois anos. De acordo com lideranças do setor, o custo de produção subiu drasticamente enquanto o preço da saca de soja sofreu uma desvalorização que, em alguns momentos, ultrapassou os R$ 40,00 de perda por saca em comparação ao ciclo anterior.

Dados do Banco Central reforçam a gravidade: cerca de 15% da carteira de crédito rural de Mato Grosso — o que equivale a aproximadamente R$ 14 bilhões — está em atraso ou em fase de renegociação.

Impacto Direto

Não é apenas o “homem do campo” que sofre. Em cidades , onde o agronegócio é o motor da economia, a crise de liquidez trava o consumo.

  • Comércio: Menor venda de maquinários, veículos e insumos.

  • Serviços: Redução na demanda por logística e manutenção.

  • Arrecadação: O efeito cascata atinge a arrecadação municipal e a geração de empregos indiretos.

“A restrição de crédito e os juros altos estão inviabilizando quem passou por seca ou excesso de chuva. Precisamos de soluções que cheguem à ponta, e não apenas anúncios que ficam travados na burocracia bancária”, afirma a Aprosoja em nota.

O que o setor reivindica?

A proposta entregue ao Governo Federal foca em três pilares:

  1. Linha de Capital de Giro: Recursos imediatos para quitar dívidas de curto prazo com fornecedores.

  2. Análise Individualizada: Que os bancos avaliem as perdas de cada propriedade, e não apenas por “decretos de emergência” municipais, que muitas vezes excluem quem teve prejuízo real.

  3. Redução da Selic Rural: Críticas pesadas à taxa Selic na casa dos 10,75% (e projeções de alta), que encarece o financiamento do custeio.

Próximos Passos

O governo federal sinalizou que deve avaliar as medidas dentro do próximo Plano Safra, mas os produtores alertam que o tempo é curto. Para quem vive do agronegócio em nossa região, o socorro precisa chegar antes do início do preparo do solo, sob risco de uma redução drástica na área plantada e, consequentemente, na riqueza gerada para o estado.


 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui