Uma jovem escritora de Pedra Preta, no interior de Mato Grosso, está desaparecida desde o último sábado (7), após viajar para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em busca de uma oportunidade profissional que pode ter sido uma armadilha. Maria Eduarda Pereira Soares, de 21 anos, filha de policiais, deixou uma carta de despedida em casa e embarcou em um voo sem avisar a família, levantando suspeitas de um possível golpe relacionado a exploração sexual.
Maria Eduarda, conhecida por sua paixão pela escrita e sonhos de ascensão profissional, saiu de sua residência na sexta-feira à noite rumo a Cuiabá, de onde pegou um avião com destino à capital gaúcha. A chegada estava prevista para as 7h do sábado, mas desde então, não há mais notícias dela. Seu celular foi desligado e resetado, o que impossibilita qualquer rastreamento pelas autoridades. A família, ao investigar, descobriu um segundo número de telefone associado a ela. Ao ligar, uma mulher atendeu, negou conhecer Maria Eduarda e bloqueou a chamada assim que a interlocutora se identificou como policial.
A mãe da jovem, Edilma Alves Pereira, uma policial penal de 44 anos, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e não esconde sua angústia e desconfiança. “Eu conheço a índole da minha filha, jamais ela ia deixar a gente sem respostas. Mesmo que ela tivesse ido sem avisar, ela ia chegar lá, ia me ligar e avisar que estava tudo bem”, desabafou Edilma em entrevista. Ela relata que, dias antes do sumiço, tudo parecia normal: na quinta-feira, elas conversaram e brincaram ao telefone, e Maria Eduarda havia postado declarações de amor ao ex-marido nas redes sociais.
Edilma suspeita que a proposta de emprego, mencionada pela filha a uma amiga sem maiores detalhes, era falsa e poderia estar ligada a um esquema de aliciamento. “Antes dela ir estava tudo certo. Na quinta-feira eu falei com ela, a gente brincou, conversou, ela postou uns dias antes declaração de amor para o marido dela”, acrescentou a mãe, enfatizando que a jovem buscava um “emprego melhor” para crescer na carreira. Ela acredita que uma mulher pode ter sido usada como isca para ganhar a confiança de Maria Eduarda: “Eu acredito que foi alguma mulher, ela não ia acreditar em homem. Eu acho que foi alguma mulher que eles colocaram para conversar com ela, para ludibriar a cabeça dela”.
A carta de despedida foi encontrada na casa onde Maria Eduarda morava com o ex-marido, Magno dos Santos Ribeiro Rodrigues, um policial militar. A família, composta por profissionais da segurança pública, está mobilizada na busca, mas até o momento, não há pistas concretas sobre o paradeiro da escritora.
A Polícia Civil de Mato Grosso assumiu a investigação, trabalhando em conjunto com autoridades do Rio Grande do Sul para rastrear possíveis movimentações. Familiares e amigos apelam por informações que possam ajudar a localizar Maria Eduarda, pedindo que qualquer detalhe seja comunicado às delegacias locais.
Casos como esse destacam os riscos de ofertas de emprego online ou por contatos desconhecidos, especialmente para jovens em busca de oportunidades. As autoridades alertam para a verificação de propostas e o compartilhamento de planos de viagem com pessoas de confiança. A comunidade de Pedra Preta segue em alerta, torcendo pelo retorno seguro da talentosa escritora.













