Fim da piracema em Mato Grosso: a partir de 1º de fevereiro, pesca comercial volta com regras rigorosas para preservar estoques

0
275

O período de defeso da piracema em Mato Grosso chega ao fim no próximo dia 31 de janeiro de 2026, após quatro meses de restrições impostas para proteger a reprodução dos peixes nos rios do estado. A partir de 1º de fevereiro, a pesca comercial, amadora e profissional será novamente permitida, mas sob normas ambientais estritas para garantir a sustentabilidade da atividade.

O defeso, que vigorou de 1º de outubro de 2025 até 31 de janeiro de 2026, é adotado anualmente nas principais bacias hidrográficas de Mato Grosso (como Paraguai, Araguaia-Tocantins, Amazonas e Prata). A medida visa concentrar a proteção no pico de reprodução das espécies, que ocorre principalmente entre outubro e dezembro, quando cerca de 80% da desova acontece, segundo estudos técnicos apresentados ao Conselho Estadual de Pesca e Aquicultura.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) reforça que, mesmo com o término da piracema, os pescadores devem respeitar as regras permanentes: tamanhos mínimos das espécies, cotas diárias de captura, proibição de pesca em áreas de preservação permanente e uso apenas de petrechos permitidos. Nas 68 unidades de conservação de proteção integral existentes no estado (incluindo parques nacionais e estaduais), a pesca segue proibida o ano inteiro.

“É fundamental que todos os pescadores atuem de forma responsável. O fim da piracema não significa liberação total; é o momento de colher o que foi preservado, mas sem comprometer as próximas gerações de peixes”, alerta a Sema em comunicado oficial.

Especialistas destacam que o período de defeso tem contribuído para a recuperação de estoques em rios importantes, como o Paraguai (no Pantanal), Juruena e Teles Pires. A medida é considerada essencial em um estado que tem no pescado uma importante fonte de proteína e renda para comunidades ribeirinhas.

Durante o defeso, apenas a pesca de subsistência (para consumo próprio, sem comercialização) foi autorizada, com restrições ainda maiores em trechos de parques como o Nacional do Juruena, o Estadual Igarapés do Juruena e o Pantanal Mato-grossense.

Com o retorno da atividade pesqueira em fevereiro, órgãos como a Polícia Militar Ambiental e a Sema intensificarão fiscalizações para coibir práticas ilegais, como uso de redes de arrasto proibidas e pesca em período de defeso residual.

A piracema de 2025/2026 foi mantida no mesmo calendário dos últimos anos, o que trouxe previsibilidade ao setor. Pescadores e entidades do trade turístico (como pesqueiros e guias de pesca esportiva) aguardam agora a retomada econômica, especialmente em regiões como o norte e o Arco do Pantanal.

A orientação é clara: quem desrespeitar as normas pode enfrentar multas pesadas, apreensão de equipamentos e até prisão em flagrante por crime ambiental. A preservação dos rios continua sendo prioridade para o equilíbrio ecológico e econômico de Mato Grosso.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui