Condenado a 19 anos: júri popular julga e pune autor de assassinato brutal seguido de arrastamento de corpo em Sinop

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Sinop (MT), 28 de janeiro de 2026 – O Tribunal do Júri condenou Wellington Honorato dos Santos, de 32 anos, a 19 anos e dois meses de prisão em regime fechado pelo homicídio qualificado de Bruna de Oliveira, jovem de 24 anos, ocorrido em junho de 2024 na cidade de Sinop, a aproximadamente 500 km de Cuiabá. A decisão foi anunciada na noite de terça-feira (27), após um julgamento que durou cerca de dez horas, presidido pelo juiz Walter Tomaz da Costa.

O crime chocou a população local pela extrema violência: Bruna foi assassinada dentro de uma quitinete e, em seguida, teve o corpo amarrado por correntes ao bagageiro de uma motocicleta e arrastado por cerca de três quadras até uma área de mata, onde foi abandonado em uma vala de dois metros de profundidade. Imagens de câmeras de monitoramento flagraram o momento em que o corpo era puxado pelas ruas, com a corrente enrolada no pescoço da vítima.

Wellington, que se encontra preso preventivamente desde junho de 2024 (quando confessou o crime à polícia), participou do júri e admitiu ter tirado a vida de Bruna. Ele alegou estar sob efeito de drogas no momento dos fatos, disse que não era dependente habitual, mas que a vítima teria fornecido entorpecentes a ele. Em depoimento, o réu mencionou uma suposta ameaça da jovem, que falava em chamar “irmãozinhos” de uma facção criminosa, o que teria levado à agressão fatal — “quebrei o pescoço dela”, afirmou.

Sobre a motivação, a defesa tentou associar o crime a uma briga por causa de um ventilador avaliado em cerca de R$ 300, que Bruna teria pretendido vender para comprar drogas. Wellington negou lembrar de ter cortado o pescoço da vítima e explicou que usou corrente e corda para fixar o corpo na moto, mas que, durante o trajeto, o corpo caiu e acabou sendo arrastado pelo chão. Ele afirmou sentir remorso pelo ocorrido.

O corpo de Bruna foi encontrado pelo irmão da vítima, Bruno de Oliveira Rabuka, que prestou depoimento emocionado durante o júri (por videoconferência, pois está preso na Penitenciária Ferrugem, em Sinop). Ele descreveu o impacto psicológico devastador ao localizar a irmã em estado deplorável na vala, com marcas de sangue visíveis. “Ele não matou só minha irmã, destruiu toda a nossa família”, declarou Bruno, destacando o sofrimento deixado para as três filhas pequenas da vítima (todas menores de 12 anos), que agora estão sob cuidados de parentes.

O Ministério Público sustentou as qualificadoras de motivo fútil e meio cruel, além da ocultação de cadáver, e questionou veementemente aos jurados: “A vida de alguém vale menos que um ventilador?”. Os jurados acolheram a tese da acusação, condenando Wellington por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, com pena acrescida de 15 dias-multa.

A defesa anunciou que recorrerá da sentença. O réu permanece custodiado na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, para onde foi transferido por questões de segurança relacionadas a disputas entre facções criminosas.

O caso reacendeu debates sobre violência contra a mulher, uso de drogas e vulnerabilidade social em regiões do interior de Mato Grosso, deixando marcas profundas na comunidade de Sinop.

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