Familiares do adolescente **Murilo Pessoa Teixeira**, de 14 anos, assassinado por engano em um ataque ordenado por facção criminosa, uniram-se a moradores da cidade para realizar um protesto pacífico nesta segunda-feira (19). O ato aconteceu na Praça Barão do Rio Branco, no centro de Cáceres (cerca de 220 km de Cuiabá), onde participantes expressaram indignação e exigiram punições mais severas aos responsáveis.
Os manifestantes carregavam cartazes com frases impactantes, como: “14 anos, uma vida interrompida. Um futuro roubado. Justiça por Murilo”, “O silêncio é cúmplice. Não aceitaremos que a vida de um jovem seja mais um número” e “Onde deveria haver o sonho de um jovem, hoje há um vazio. Justiça!”. Um dos participantes, usando o microfone, declarou: “Eles não podem ser soltos. Os juízes precisam reconhecer o perigo que essas pessoas representam. É necessário um exame psicológico desses jovens delinquentes”.
O homicídio aconteceu no sábado (17), por volta das 14h40, na Rua dos Crisântemos, bairro Jardim Padre Paulo. Murilo estava em casa quando criminosos invadiram o local e dispararam contra ele. Gravações de câmeras de segurança registraram dois adolescentes conversando em frente à residência, momento em que um veículo passou e efetuou os tiros. Em seguida, a mãe da vítima saiu desesperada ao ver o filho baleado, e um homem armado saiu da casa atirando contra o carro dos agressores, que fugiu em seguida.
De acordo com a investigação policial, o verdadeiro alvo era o irmão mais velho de Murilo, de 19 anos, que teria ligações com uma facção criminosa rival. Uma adolescente, ex-namorada desse irmão, teria sido coagida ou envolvida para fornecer informações sobre a residência e a rotina da família, auxiliando no planejamento do ataque.
Os suspeitos são adolescentes. Dois deles, de 17 anos, foram detidos logo após o crime – um foi agredido pela população antes da chegada da polícia e precisou de atendimento médico. Um terceiro envolvido reagiu à abordagem policial durante as buscas e acabou morto em confronto com agentes.
O delegado Higo Rafael,destacou que organizações criminosas aproveitam falhas na legislação para recrutar menores de idade. “As facções conhecem a fragilidade da lei e exploram isso, sabendo que os adolescentes ficam no sistema socioeducativo por apenas 45 dias e voltam às ruas, facilitando a reincidência”, explicou.
O caso segue em apuração na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Cáceres, com todos os envolvidos e itens apreendidos encaminhados para análise. A manifestação reflete o clamor da comunidade por maior rigor no combate à violência e à influência de facções sobre jovens, em meio ao luto pela perda de uma vida inocente interrompida precocemente.













