TANGARÁ DA SERRA 11 DE MARÇO 2026
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) investiga denúncia de suposta emissão de laudos laboratoriais falsos por um laboratório credenciado pela Prefeitura para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta terça-feira, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no Laboratório Pop Exame Ltda., localizado na cidade, após indícios de falsidade ideológica e material.
A investigação teve origem em fiscalizações de rotina realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde. Durante uma das vistorias, técnicos constataram que o laboratório estava inoperante em horários em que deveria estar em pleno funcionamento. Equipamentos parados, reagentes vencidos e ausência de envio de amostras para laboratórios de apoio foram alguns dos problemas identificados. Mesmo assim, laudos eram emitidos com assinatura digital de biomédico, gerando resultados que não correspondiam à realidade clínica dos pacientes.
Pacientes que procuraram atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), no hospital municipal e na atenção básica apresentaram exames com discrepâncias graves. Em alguns casos, pessoas chegaram em estado delicado ao pronto-socorro com laudos que não refletiam o quadro real de saúde, o que gerou preocupação com possíveis riscos à vida.
O prefeito Vander Masson (União Brasil) confirmou, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira ao lado da secretária de Saúde Angela Xavier Belizario, que a própria Prefeitura foi a responsável pela denúncia. “Foi a prefeitura quem suspeitou, denunciou o laboratório e comunicou a Polícia e o Ministério Público. Não nos omitimos em nenhum momento”, declarou o gestor.
A secretária Angela Xavier explicou que o município mantém comissão técnica e fiscal de contrato para monitorar os laboratórios credenciados. “As visitas são periódicas. Quando identificamos irregularidades, acionamos imediatamente a Vigilância Sanitária e registramos boletim de ocorrência”, afirmou.
O Laboratório Pop Exame estava credenciado para atender demandas do SUS, incluindo exames solicitados na UPA, hospital e unidades básicas de saúde. O contrato previa pagamento mensal de cerca de R$ 48 mil por laboratório. Após a denúncia, o estabelecimento fechou as portas repentinamente e o responsável informou que não se encontrava na cidade.
A 3ª Promotoria de Justiça Cível de Tangará da Serra também instaurou Notícia de Fato (nº 000664-009/2026) para apurar os fatos, incluindo possível uso indevido de assinatura eletrônica de biomédico. Até o momento, não há confirmação de envolvimento de servidores públicos municipais.
A Polícia Civil mantém o sigilo das investigações, que devem ser concluídas nos próximos dias. O laboratório Pop Exame é o principal alvo, mas a apuração também avalia outros credenciados. Enquanto isso, o atendimento laboratorial na rede municipal continua normalmente por meio de outros estabelecimentos credenciados.
A população que realizou exames no laboratório sob investigação pode procurar a Secretaria de Saúde ou a Delegacia de Polícia para mais informações. Qualquer pessoa que tenha sido prejudicada deve registrar ocorrência.
A Reportagem acompanha o caso e trará atualizações assim que houver novas informações oficiais da Polícia Civil ou do Ministério Público.













