Cuiaba 09/março de 2026
O silêncio que antes imperava nas residências mato-grossenses vem sendo substituído pelo som de passos em direção às delegacias. Dados consolidados do último ano revelam um cenário alarmante e, ao mesmo tempo, encorajador no que diz respeito à rede de proteção: 18.420 mulheres solicitaram medidas protetivas de urgência em Mato Grosso ao longo de 2025.
O número representa um aumento significativo em comparação aos anos anteriores, consolidando o estado como um dos pontos críticos na estatística nacional de violência doméstica, mas também evidenciando que o acesso à informação e aos mecanismos de denúncia está alcançando mais vítimas.
O Perfil do Medo
As solicitações, que variam desde o afastamento do agressor do lar até a proibição de contato por qualquer meio, revelam um padrão cruel. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT), a maioria das vítimas possui entre 25 e 40 anos, e os agressores são, em sua esmagadora maioria, companheiros ou ex-parceiros que não aceitam o fim do relacionamento.
“A medida protetiva é o primeiro passo para romper o ciclo de violência. Ela retira a mulher da invisibilidade e coloca o Estado dentro daquela residência para dizer que aquela conduta não será tolerada”, afirma a Dra. Mariel Antonina, especialista em Direito de Família e Proteção à Mulher.
A Eficácia da Tecnologia
Um dos fatores que impulsionou o registro dessas 18 mil medidas em 2025 foi a expansão da Delegacia Virtual e do botão do pânico via aplicativo. Em cidades do interior, onde a presença física de uma Delegacia Especializada da Mulher (DDM) ainda é um desafio, a digitalização do processo permitiu que o socorro chegasse antes da tragédia.
Desafios de Fiscalização
Apesar do volume recorde de pedidos, o desafio permanece na ponta final: a fiscalização. Com uma média de 50 novos pedidos por dia em todo o estado, as forças policiais enfrentam dificuldades logísticas para garantir que todos os agressores cumpram as distâncias estabelecidas judicialmente.
Mato Grosso encerrou 2025 com um misto de urgência e esperança. Se por um lado os números assustam, por outro, eles provam que as mulheres não estão mais sofrendo sozinhas. A “sobrevivência” citada no título desta matéria deixou de ser um ato passivo para se tornar uma busca ativa por direitos e segurança.
Canais de Ajuda
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, não espere o ciclo se fechar:
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Polícia Militar: 190
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Central de Atendimento à Mulher: 180
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Delegacia Digital de Mato Grosso: Disponível 24h para registro de ocorrências e pedido de medidas.













