Operação Argos desarticula base clandestina do Comando Vermelho em terra indígena de Santo Antônio de Leverger

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CUIABA 16 DE MARÇO DE 2026

A Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio da Polícia Federal e do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER), deflagrou nesta sexta-feira (13) a Operação Argos e desmantelou um centro clandestino de treinamento militar mantido por integrantes do Comando Vermelho (CV) dentro da Terra Indígena Tereza Cristina (também conhecida como Aldeia Tereza Cristina ou Korogedo Paru), em Santo Antônio de Leverger, a cerca de 35 km de Cuiabá.

O local era utilizado para preparar adolescentes e jovens membros da facção em técnicas de combate, tiro, guerrilha e sobrevivência na selva, em meio à disputa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo controle de rotas de tráfico na fronteira com a Bolívia. A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, durou cerca de dez meses e começou após denúncias de tráfico de drogas na área indígena. Policiais identificaram que entorpecentes vindos de Mato Grosso do Sul chegavam pelo Rio São Lourenço, eram recebidos por um suspeito conhecido como “Pescador” (casado com indígena) e depois armazenados e distribuídos por outro investigado, apelidado “Corola” ou “Fininho”, para traficantes de Rondonópolis e região, tanto por via fluvial (Rio Vermelho) quanto terrestre (MT-270).

Durante as apurações, a polícia descobriu que os mesmos suspeitos atuavam como instrutores de um curso clandestino para integrantes do CV. Os treinamentos, ministrados por indivíduos identificados como “01” e “02”, incluíam:

– montagem e desmontagem de armas longas e curtas;
– tiro a seco e com munição real a diversas distâncias;
– uso de armamento pesado de uso restrito (fuzis calibres .556 e .762, pistolas .40 e 9 mm, metralhadoras e até arma calibre .30 montada em tripé);
– técnicas de sobrevivência na mata para fuga após confrontos com rivais ou forças de segurança.

Os participantes eram transportados de barco até uma ilha alagada e de difícil acesso às margens do Rio São Lourenço. Para evitar que o barulho dos disparos chegasse à comunidade indígena, o grupo navegava alguns quilômetros rio acima. Suspeitos presos em outras operações em Mato Grosso já relatavam ter passado por esse “curso estruturado”, semelhante a treinamentos de forças de segurança.

Na ação desta sexta-feira, foram apreendidas duas espingardas e dezenas de munições de diferentes calibres. Não houve resistência e a polícia não encontrou indícios de envolvimento direto dos moradores da aldeia – embora suspeite que a comunidade tenha sido coagida a tolerar a presença dos criminosos.

O delegado Fábio Nahas, responsável pela investigação, destacou: “Eles faziam um treinamento completo de instrução de tiro, montagem e desmontagem de armamentos, além de técnicas de sobrevivência na selva. Era um curso estruturado, com etapas semelhantes às utilizadas em treinamentos de forças de segurança”.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e localizar possíveis esconderijos de armas na região. A Operação Argos reforça o compromisso das forças de segurança em combater o avanço do crime organizado em áreas indígenas e de fronteira.

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