Suspeito de estuprar e matar irmã em Cuiabá pode ter sido solto após erro em cadastro, diz juiz

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CUIBA 12 DE MARÇO 2026

Marcos Pereira Soares, de 23 anos, foi preso em flagrante nesta quarta-feira (11) suspeito de estuprar e assassinar a própria irmã, Estefane Pereira Soares, de 17 anos. Ele havia deixado a prisão há cerca de uma semana devido a uma possível falha no sistema judicial.O juiz Geraldo Fernandes Fidélis Neto, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, determinou a expedição de mandado de recaptura contra Marcos Pereira Soares no mesmo dia em que o crime ocorreu. O magistrado apontou possível duplicidade de registros no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) como causa da soltura irregular e acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para verificação urgente.

Segundo decisão judicial divulgada nesta quinta-feira (12), o juiz ordenou à Secretaria da Vara que certifique se os registros existentes no BNMP referem-se à mesma pessoa. “Constatada eventual duplicidade de Registro Judicial Individual (RJI), oficie-se, com a máxima urgência, ao Conselho Nacional de Justiça para a adoção das providências cabíveis, especialmente quanto à verificação e eventual unificação dos registros. Por fim, expeça-se mandado de recaptura”, diz trecho do documento.

Marcos Pereira Soares foi condenado em abril de 2023 a 17 anos de prisão pelos crimes de homicídio, furto e ocultação de cadáver. A pena vinha sendo cumprida desde julho de 2020, mas ele foi solto no sábado (7) após a defesa pedir análise de possível duplicidade de processos. A falha no cadastro teria levado à revogação da prisão preventiva vinculada a um dos registros.

**Crime e prisão**

O corpo de Estefane foi encontrado submerso em um córrego no bairro Morada da Serra, em Cuiabá, com sinais de violência sexual. A adolescente tinha mãos e perna esquerda amarradas entre raízes de uma árvore e uma pedra sobre as costas, indicando tentativa de ocultação do cadáver, conforme a Polícia Civil. O Corpo de Bombeiros retirou o corpo da água.

Marcos foi localizado pela Polícia Militar no bairro CPA II, enquanto caminhava por uma avenida, e preso em flagrante na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele responde a outros processos por crimes como estupro de vulnerável, porte ilegal de arma, tráfico de drogas, roubo, ameaça, lesão corporal, corrupção de menores, uso de drogas e direção perigosa. Em 2024, chegou a participar do programa “Mais MT – Muxirum” por 46 dias e pediu redução de pena, com parecer favorável.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e estupro. O g1 e outros veículos tentaram contato com a Secretaria de Justiça (Sejus) e com a defesa do suspeito, mas não obtiveram retorno até o fechamento desta reportagem.

O erro no sistema judicial, agora sob análise do CNJ, reacende debates sobre falhas no Banco Nacional de Mandados de Prisão e a necessidade de unificação de registros para evitar solturas indevidas de condenados perigosos. O mandado de recaptura já está ativo.

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